Em Curitiba, ciclistas criam uma praça de bolso

Em processo colaborativo, a sociedade civil organizada cria um pocket-park na capital paranaense para "celebrar a cidade como plataforma estética, artística e política"

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Du Dias / Mobilize Brasil  |  Postado em: 27 de junho de 2014

Em Curitiba, ciclistas criam uma praça de bolso

Ciclistas mutirantes posam na futura pracinha de Curitiba

créditos: Divulgação: Praca de bolso do Ciclista


Há aproximadamente dois anos um pequeno terreno com pouco mais de 100m² no centro da capital paranaense despertou o interesse do cicloativista e coordenador da CicloIguaçu (Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu),  Goura Nataraj e seus companheiros. Às sombras de um prédio abandonado no centro histórico da cidade, na esquina das ruas São Francisco e Presidente Faria, a área estava numa região curiosamente tão valiosa quanto negligenciada,  bem em frente à um dos pontos de encontro de ciclistas mais conhecidos de Curitiba, a Bicicletaria Cultural. A ideia dos ativistas era transformar o terreno abandonado numa praça do ciclista, mais ou menos como aconteceu na Avenida Paulista, em São Paulo. Informados que o espaço pertencia ao poder público, recorreram à prefeitura.


A ideia foi bem recebida pelo executivo municipal, porém o projeto não saiu do papel. “A prefeitura gostou da proposta e até sugeriu o nome, Praça de Bolso do Ciclista, em alusão aos Pocket Parks (pequenos parques em regiões densas da cidade), mas a obra deveria ter sido entregue para o III Fórum Mundial da Bicicleta, que aconteceu na cidade em fevereiro deste ano. Infelizmente o tempo passou e o terreno continuava coberto por tapumes”, lembra Goura.


Durante a realização do Fórum, a artista plástica suíça radicada nos Estados Unidos, Mona Caron, fez um enorme painel que além de marcar o território, evidenciava ainda mais a vocação da praça - uma enorme tulipa florescendo, com uma bicicleta voadora saindo de dentro dela passou a ocupar uma parede que delimitava parte do espaço.


Após a realização do Fórum, o coordenador da CicloIguaçu recorreu novamente à prefeitura, agora com uma proposta mais ousada – além de ceder o espaço e o projeto original, o município disponibilizaria material de construção como pedras, areia, cimento e tijolos, cabendo aos ativistas mobilizar, em forma de mutirões, a mão de obra. “Fiquei muito surpreso quando a prefeitura acatou nossa proposta. A partir de então tivemos inúmeras discussões, reuniões e assembleias, contando sempre com a divulgação pela internet para reunir colaboradores e tocar o projeto. Em pouco tempo nosso grupo já contava com arquitetos, engenheiros e pessoas com conhecimento técnico, que se somavam a tantos outros com disposição e força de vontade para transformar o espaço”, lembra o ativista.

 


Mutirões
A partir da terraplenagem realizada pela prefeitura, as intervenções públicas na praça já estão chegando no seu oitavo final de semana e segundo Goura tornaram explícito o sentimento de amor dos cidadãos pelo espaço que ocupam. “É preciso criar cidadãos participativos e responsáveis se quisermos construir cidades mais agradáveis e seguras. A rua deve ser um espaço de convívio livre e saudável, em oposição aos espaços controlados que a iniciativa privada e o estado nos oferecem.” Diversos grupos participam ativamente dos mutirões, marcados preferencialmente para os finais de semana, já que a maioria dos colaboradores trabalha em horário comercial. Homens, mulheres, crianças, prostitutas e mendigos aparecem por lá com certa frequência. “Não queremos criar um espaço higienista, queremos uma cidade mais agradável para todos”, afirma democraticamente o diretor da CicloIguaçu.

 

Zona 30
Além da construção da praça, o grupo também passou a cobrar ações de traffic calming na região, reivindicando que o trecho onde a praça está localizada seja fechado para o trânsito de veículos automotores, além da criação de uma Zona 30 (região de grande concentração de pedestres onde o tráfego de veículos não deve ultrapassar o limite de 30km/h) no centro da cidade.


A expectativa é que o espaço disponha de um muro como suporte para artistas, paraciclos, ponto de recarga para bicicletas elétricas, bomba para encher pneus, serviço aberto de conexão com a internet, canteiros com plantas e a manutenção das ruínas de um antigo muro, como registro histórico das transformações no espaço urbano. Segundo Goura, a ação mostra como a cidade é uma plataforma estética, artística e política.

 

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