Reino Unido pode ter trens movidos a hidrogênio na próxima década

Experiência alemã, que tem dois destes trens já em operação, mostra que alternativa, apesar de cara, tem boas chances de vir a ser adotada como solução ambiental

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Fonte: Diário do Transporte  |  Autor: Alexandre Pelegi  |  Postado em: 01 de novembro de 2018

Trem a hidrogênio Coradia iLint já circula na Alem

Trem a hidrogênio Coradia iLint já circula na Alemanha

créditos: Alstom/ Divulgação

A Alstom, uma das maiores fabricantes ferroviárias da Europa, colocou em operação no dia 16 de setembro de 2018 o primeiro trem movido à célula de hidrogênio do mundo – o Coradia iLint. O fato se deu na cidade alemã de Bremervörde, no distrito de Rotenburg (Baixa Saxônia).

Agora, a experiência com trens a hidrogênio pode se repetir no Reino Unido, segundo anuncia o governo britânico.

Em fevereiro deste ano o ministro de Estado do Departamento de Transportes, Jo Johnson, pediu à indústria ferroviária do país que fornecesse uma visão de como pretende seguir a trilha da descarbonização, para propiciar um meio limpo e sustentável de transporte. Johnson chegou a afirmar que queria ver “todos os trens movidos a diesel fora dos trilhos em 2040” e que vislumbrava “trens de combustíveis alternativos movidos inteiramente por hidrogênio” como algo possível no horizonte.

Se isso vai se tornar realidade ou não, ainda não é possível saber. Na Alemanha, como se viu, isso já está acontecendo…

Os trens a hidrogênio, segundo matéria da BBC, podem se tornar uma realidade no Reino Unido já na próxima década, justamente pelo apelo ambiental. Por serem muito menos poluentes do que os trens a diesel, eles ainda podem alcançar locais onde os trens movidos a eletricidade não chegam.

Soltando água em lugar de dióxido de carbono, como fazem os modelos tradicionais a diesel, as experiências com trens movidos a hidrogênio estão – sem trocadilho – a pleno vapor na Alemanha. É o caso do Coradia iLint, produzido pela Alstom.


Alemanha à frente
Em novembro de 2017, a Alstom fechou um contrato com o governo de Baixa Saxônia, no noroeste da Alemanha, para a entrega de 14 trens a hidrogênio.

Previa-se na época que os trens Coradia iLint, construídos na fábrica local de Salzgitter e em Tarbes, no sul da França, estariam aptos a transportar passageiros entre Cuxhavem, Bremerhaven, Bremervörde e Buxtehude, a partir de dezembro de 2021.

Dezembro de 2021 ainda está um pouco longe, mas os dois primeiros trens Coradia iLint já rodam desde setembro deste ano no país germânico, e já em fase comercial. E dezembro de 2021 continua como uma meta factível. Os usuários da rede Elbe-Weser, operada pela EVB onde circulam os Coradia iLint, viajam a bordo de trens de baixo ruído e emissão zero, que alcançam até 140 km/h.

A LNVG, que organiza o transporte ferroviário de passageiros na região, vê a tecnologia de células de combustível como uma decisão estratégica, segundo descreve sua diretora Carmen Schwabl: “Com os dois trens Coradia iLint e com o uso de outros 14 trens de hidrogênio a partir do final de 2021, somos a primeira autoridade de transporte ferroviário de passageiros a substituir os veículos a diesel existentes por veículos livres de emissões”.

Os trens funcionam com uma célula de hidrogênio, que produz energia elétrica para o funcionamento da composição. Os trens também emitem pouco ruído e, segundo a Alstom, soltam apenas vapor de água e água condensada.

Segundo informa a matéria da BBC, um abastecimento por 15 minutos de hidrogênio é suficiente para o trem percorrer 965 km.

Futuro possível

Como no caso das demais tecnologias alternativas – a exemplo de carros e ônibus elétricos – o "x" da questão está no preço final. Produzir trens a hidrogênio sai hoje bem mais caro do que a fabricação dos tradicionais trens a diesel.

No caso dos países europeus, bem avançados na discussão e implementação de políticas de transporte que buscam mitigar o aquecimento global, a problemática do custo pode não ser a mais importante.

Apostar em um horizonte onde veículos de transporte coletivo sejam movidos a energias não fósseis, com zero emissão, é o que tem impulsionado grandes empresas e fabricantes do setor, a ponto de fazê-las direcionar pesados investimentos em pesquisa e testes reais, como no caso alemão.

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