Especialista aponta soluções para mobilidade em Joinville

Série de matérias "Joinville que Queremos" aponta soluções de mobilidade para a cidade que já foi a capital brasileira da bicicleta

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Fonte: NSC Total/Edição Mobilize  |  Autor: Cláudia Morriesen/NSC Total  |  Postado em: 19 de março de 2019

Centro de Joinville: pedestres e ciclistas disputa

Joinville: pedestre e ciclista disputa espaço com veículos

créditos: Foto: Salmo Duarte/A Notícia

Joinville, maior cidade de Santa Catarina, já foi uma cidade repleta de ciclistas e até os anos 1980, 30% dos deslocamentos urbanos eram realizados com bicicletas. Hoje, porém, pedestres e ciclistas enfrentam dificuldades para circular pelas ruas e praças da localidade. 


Com vias pequenas – característica de uma formação urbana iniciada por uma colônia de imigração que nunca foi alterada –, são poucas as opções para ampliação desta malha viária de Joinville, o que faz com que o centro da cidade tenha um trânsito com alto índice de lentidão e de formação de filas. O centro é formado por três avenidas, 12 ruas arteriais e 31 vias secundárias que tem a função de garantir o tráfego na região onde a oferta de comércio e serviços é a mais ativa da cidade e ser um elo de ligação entre os bairros.

 

Centro de Joinville nos anos 1960.Foto: Arquivo ND

 

Acaba sendo um ambiente pouco seguro e confortável para ciclistas e pedestres. Por isso, especialistas em transportes e mobilidade enxergam alternativas que envolvem mais inteligência e tecnologia do que grandes obras como solução para tornar o Centro um local mais atrativo para deslocamentos com qualidade de vida.


Entre os principais problemas apontados por entidades, especialistas e pelo poder público, a mobilidade na região central de Joinville é comprometida pela falta de opções de transporte coletivo barato e eficiente, de um sistema cicloviário que garanta segurança, de calçadas completas e padronizadas e de outros acessos principais aos bairros do entorno.


Ciclistas hoje não dispõem de infraestrutura na cidade Foto:
Salmo Duarte/A Notícia

 

São situações que fazem eco aos problemas vividos por boa parte das cidades de médio porte em que a população cresceu mas o planejamento urbano não acompanhou a evolução, mantendo o centro urbano com poucas modificações.


"É sempre uma tendência dos centros começarem a ficar congestionados. Principalmente nas grandes cidades, onde você tem o esvaziamento do centro em termos de residência, porém os serviços e o setor comercial continuam nele. Com isso, as pessoas tem que se deslocar para continuar a consumir estes serviços", analisa Simone Becker Lopes, doutora em Transportes e professora de Engenharia de Mobilidade do campus Joinville da UFSC.

Ela aponta cidades como Viena, na Áustria, e Braga, em Portugal, como exemplos semelhantes à estrutura de Joinville que conseguiram resolver o problema de mobilidade na região central. Para isso, utilizaram critérios que são pouco populares à primeira vista, já que trabalham com priorização de transportes não motorizados e dos pedestres, além de mais opções de transporte público leve, como Veículos sobre Trilhos (VLTs) e bondes. Aos automóveis particulares, boa parte do tráfego no núcleo central foi proibida ou limitada ao trânsito local. A especialista também defende o desvio do fluxo pesado do Centro, com construção de um anel viário que leve a conexão entre a zona Sul e Norte sem que esta passe pela região central.


Soluções para a mobilidade do centro de Joinville
No ano passado, quando integrantes da agência alemã de cooperação internacional GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammernarbeit), da Universidade de Stuttgart e da Sociedade Fraunhofer para a Promoção da Pesquisa Aplicada estiveram em Joinville, foi discutido com a Prefeitura a realização de um estudo sobre possibilidades de mudanças no transporte de cargas que passam pelo Centro, para que estes sejam mais leves e, de preferência, elétricos. As propostas que surgiram deste encontro, aliás, passam todas por soluções mais voltadas para a sustentabilidade. Confira as propostas:

Estações Park & Rider: bolsões de estacionamento para carros e bicicletas ao redor de terminais urbanos de ônibus, para que os cidadãos possam estacionar os seus veículos nestes locais com segurança, oferecendo, também, serviços de lavação, mecânica, entre outros. 

Mobility Hubs: diferentes modos de transporte conectados para promover o uso de modais alternativos. O uso de serviços adicionais, como o compartilhamento de carros, deve se tornar possível, atualizando o cartão Ideal de transporte coletivo.

E-trucks e E-bikes: entrega do último quilômetro das viagens com veículos elétricos, de modo a reduzir o ruído e a emissão de poluentes no centro urbano.

Transporte sobre trilhos: a infraestrutura existente poderia ser usada para o transporte de passageiros, como o VLT. 

Bike sharing & Safe parking: instalação de várias estações para estacionamento seguro de bicicletas e seu compartilhamento.

Áreas de baixa emissão de poluentes: estabelecer uma área verde no centro da cidade como Zona Ambiental e introduzir restrições ao trânsito, com base na classe de veículos que a cidade não gostaria de ver trafegar nesta região. 

Tarifas por zoneamento: reorganizar o sistema tarifário de transporte público por zonas. 

 

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