Neste início de ano, nosso colaborador Uirá Lourenço, do blog Brasília para Pessoas, tem se dedicado a visitar algumas áreas mais afastadas e adensadas do Distrito Federal, como Taguatinga e Ceilândia, para observar de perto como as pessoas realmente se deslocam por essas cidades do entorno da capital federal.
Leia a seguir o testemunho de Uirá, que conferiu in loco os apuros enfrentados diariamente pelos que precisam cruzar a Avenida Helio Prates, nas proximidades do JK Shopping, em Tabatinga. Além disso, ele faz uma reflexão e uma análise sobre o que leva o pedestre a se pôr em risco atravessando a via, em vez de usar as passarelas.
"Na foto que abre este artigo, quantas pessoas você consegue ver atravessando a avenida? E a passarela, você notou que está vazia?
É comum ouvir que o problema é a imprudência. Que as pessoas se arriscam entre os carros mesmo havendo passarela. Que falta educação. Mas já parou para olhar por outro ângulo?
O acesso pela passarela é mais longo, mais cansativo e muitas vezes mais inseguro, especialmente para mulheres, que relatam medo de assaltos e assédio. Em muitos casos, a estrutura não é convidativa, não é bem iluminada e não oferece sensação de proteção.
Passarelas e passagens subterrâneas costumam ser projetadas para manter a fluidez dos carros, evitando que o tráfego motorizado seja interrompido. O foco não é necessariamente a segurança, o conforto e a prioridade de quem caminha ou pedala.
Para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, a travessia por passarela pode ser ainda mais desgastante ou até inviável.
Se a maioria atravessa em nível, talvez o problema não seja o comportamento das pessoas, mas o desenho da via.
Cidade boa é aquela que facilita o caminho de quem está a pé. Temos que falar sobre isso."
Av. Helio Prates, em Tabatinga: movimentada Imagem: Google Maps
Depois de atravessar, ponto de ônibus lotado Foto: Uirá Lourenço

Muita gente circulando e cruzando a avenida Foto: Google Maps
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