Será que o DF, enfim, vai avançar no seu Plano de Mobilidade?

Audiências públicas vêm ocorrendo no Distrito Federal para debater o futuro Plano de Mobilidade Sustentável da capital. Uirá Lourenço acompanha e traz o seu relato

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Uirá Lourenço  |  Postado em: 07 de abril de 2026

Trânsito caótico no Eixo Monumental de Brasília: a

Trânsito caótico no Eixo Monumental de Brasília: até quando?

créditos: Uirá Lourenço

No último dia 28 de março, o auditório do DNIT em Brasília foi palco de mais uma audiência pública para debater o futuro Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Distrito Federal. Desta vez, com maior participação popular, conta Uirá Lourenço, parceiro do Mobilize Brasil sempre de olho nas notícias de mobilidade na capital federal, e que também dessa vez esteve presente à reunião.

 

"Venho acompanhando a elaboração do novo Plano; vejo que há boas propostas e acredito que é importante a sensibilização dos gestores públicos para o novo modelo de cidade, humanizada e segura", diz o ciclista e ativista da mobilidade ativa. 

 

Audiência pública debate o plano de mobilidade Foto: Uirá Lourenço

 

Na análise publicada em seu blog, Uirá denuncia as inúmeras obras de viadutos que se espalham pelo DF e que, segundo ele, são reveladoras das prioridades da gestão atual, que em tudo contrastam com a situação de precariedade do transporte coletivo. Naquele mesmo dia, diz ele, mais um viaduto estava sendo inaugurado na EPIG pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). "Um fato bem simbólico justo no dia de se discutir o futuro da mobilidade no DF", ironiza.

 

Também em sua avaliação, a condição degradante do transporte público fica clara no depoimento que ele reproduz de uma moradora de Valparaíso, município goiano do entorno do DF: "A gente passa o dia inteiro sendo moído dentro do transporte público, levando quatro, cinco horas dentro do transporte público. E ainda tentando estudar pra ter uma vida um pouco melhor. Não se consegue sentar para ler um livro. Não tem espaço dentro do ônibus. Não tem ônibus suficiente. A gente se reinventa para poder chegar aos locais onde precisa estar", desabafou a moradora Débora.  

 

Muitas pistas no complexo viário da Saída Norte, sem o prometido BRT Foto: Uirá Lourenço

 

Carrocracia e Viadutos
A fala de Uirá durante a audiência deu destaque aos números oficiais reveladores da alta dependência do carro, materializados nos diversos projetos e obras voltados ao automóvel. A frota motorizada no DF, ressaltou, passa de dois milhões de veículos (Detran/DF). Também dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios (PDAD/2021) são esclarecedores, ao trazer o levantamento dos deslocamentos por carro no trajeto casa-trabalho: 97,5% no Lago Sul, 88,4% no Sudoeste/Octogonal e 86,9% no Lago Norte. 

 

A política de dependência do automóvel tem seu complemento nas aberturas de grandes obras viárias pelo território, com gastos - e não investimentos, diz Uirá sobre o termo usado pelo governo - espetaculares. Uma notícia do Governo do Distrito Federal (GDF), de setembro/2025, dá conta de que foram inaugurados "mais de 20 viadutos em diferentes regiões, reforçando a fluidez viária". Na mesma matéria, o governo ressalta que "trabalha para erguer mais um viaduto, no Noroeste", com custo de R$ 29,6 milhões e previsão de beneficiar 100 mil motoristas.   

 

 

Sem calçadas (acima) e sem ciclovia (abaixo) Fotos: Uirá Lourenço

 

Transporte, calçadas, ciclovia
A seguir, Uirá faz um apanhado da situação do transporte coletivo no DF, das condições das calçadas e ciclovias, e das travessias de alto risco, agravadas pelo alto limite de velocidade nas vias, como ele costuma registrar em fotos e vídeos.

 

Por fim, ressalta a necessidade urgente de mudança desse modelo... Se quisermos contruir uma cidade para pessoas, diz: "É urgente reverter o modelo de cidade. Na década de 1960 do século passado ainda se justificava pensar a cidade para os carros. No século 21, não mais. A capital federal não comporta tantos veículos, o DF não precisa de mais túneis, pontes e viadutos. Pistas e estacionamentos abarrotados, viadutos grandiosos e vias expressas são um sinal claro do fracasso na mobilidade."  

 

Para ler o texto completo no blog Brasília para Pessoas, clique aqui.

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