Brasilia Para Pessoas

06
maio
Publicado por Brasília no dia 06 de maio de 2018

Texto e fotos: Uirá Lourenço

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Ao caminhar pela W3 na semana passada, uma surpresa: bloqueios dificultavam a travessia dos pedestres. Como denominar essa intervenção do Detran?

 

Em enquete realizada no facebook do Brasília para Pessoas surgiram algumas sugestões: “Brasília no rumo certo”, “A volta dos que não foram”, “Cegueira” e “Curral para pedestres”.

 

A região tem movimento intenso de pedestres. No local dos bloqueios as pessoas atravessam na faixa no lado onde fica o Pátio Brasil, mas não têm continuidade na travessia para o Setor Comercial Sul.

 

Nesta semana, felizmente já não havia mais os bloqueios. Fica a dúvida: teria sido apenas mais um experimento do Detran?

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No dia 2/5/2018 a calçada estava liberada, sem os bloqueios do Detran.

 

Por falar em experimento, no final de 2016 foram pintadas faixas de travessia na região, que duraram pouco tempo e acabaram sendo apagadas. Na época, fiz relato com fotos sobre o mistério das faixas apagadas.

 

Ainda se podem ver no asfalto as faixas que foram apagadas.  Além da insegurança decorrente da falta de faixas de travessia, o tempo de espera no semáforo é muito longo para os pedestres.

 

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Dois pontos com faixas pintadas e posteriormente apagadas no início da W3 Sul.

 

Na região há vários centros comerciais, lojas e escritórios. E ainda há dois grandes hospitais – de Base e Sarah. É comum ver pessoas em cadeiras de rodas e com muletas. As condições de acessibilidade melhoraram após a instalação de piso tátil e balizadores para impedir a invasão das calçadas, mas ainda são necessárias muitas melhorias, como rampas e pontos de travessia.

 

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Longa espera na travessia: fluxo automotivo priorizado em detrimento da segurança e do conforto dos pedestres

 

Os riscos na travessia são altos. Mesmo com a faixa apagada alguns motoristas reduzem a velocidade ou param ao perceber a presença de pedestres, mas outros passam em alta velocidade e buzinam de forma agressiva, como revelam os vídeos com flagrantes de março e maio deste ano.

 

- Bloqueios nos pontos de ônibus

 

Próximo das travessias sem faixa na W3, onde foram instalados os bloqueios contra pedestres, todo dia motoristas estacionam irregularmente e bloqueiam os pontos de ônibus. As infrações ocorrem na frente de dois hospitais – hospital de Base e Sarah.

As “vagas” na frente dos hospitais são as mais disputadas para azar dos que precisam pegar ônibus. Quem está no ponto não enxerga os ônibus que passam. Um cadeirante não consegue embarcar em razão dos carros e da falta de rampas.

 

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“Vagas” disputadas na frente dos pontos de ônibus.

 

Em abril deste ano, registrei queixa na ouvidoria do GDF contra os bloqueios diários que ocorrem nos pontos de ônibus da região (acessível na seção do blog com solicitações e pedidos de providências). Incluí fotos e mapa com indicação dos locais das infrações. Também propus medidas para coibir o estacionamento irregular: sinalização e instalação de balizadores. Infelizmente, não houve qualquer providência e o desrespeito continua.

 

- Inacessibilidade na Asa Sul

 

O problema não se resume à falta de segurança nas travessias e aos pontos de ônibus bloqueados. No início da W3 Sul muitas calçadas e canteiros estão invadidos pelos carros. Não bastasse o péssimo estado das calçadas, os pedestres ainda têm que desviar dos carros no caminho.

 

Apesar de ser uma importante avenida, na W3 Sul as calçadas se converteram em estacionamento. Em várias quadras o bloqueio é total: com calçadas destruídas e repletas de lixo e carros, o pedestre precisa andar na pista, com cuidado para não ser atropelado pelos ônibus.

 

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Calçadas em péssimo estado e invadidas por carros na W3 Sul.

 

Outra região crítica é o Setor de Rádio e TV Sul. Em 2014, foi feita ação de multa cidadã no local. Três crianças, munidas de talões, aplicaram multas simbólicas nos carros estacionados sobre a calçada (vídeo mostra as crianças aplicando multa cidadã). De 2014 até hoje o cenário de desrespeito continua igual. Na verdade ficou pior, pois as calçadas estão ainda mais destruídas pela constante circulação de carros.

 

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2014

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2018

Calçadas destruídas e invadidas no Setor de Rádio e TV Sul: realidade que se mantém ao longo dos anos.

 

- Ações para garantir acessibilidade

 

Pelo que se observa ao caminhar na capital federal, precisa-se de menos experimentos e bloqueios contra pedestres e de mais ações para garantir condições dignas de acessibilidade. Por ser capital federal, Brasília tem responsabilidade ainda maior em zelar pelos espaços públicos e garantir acessibilidade.

 

Aos órgãos de trânsito bastaria seguir o Estatuto da Pessoa com Deficiência, estabelecido pela Lei Federal n° 13.146/2015. Segundo o art. 46 da lei, “O direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida será assegurado em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, por meio de identificação e de eliminação de todos os obstáculos e barreiras ao seu acesso.”

 

Ou seja, pôr em prática ações de infraestrutura, educação e fiscalização de trânsito para eliminar barreiras e garantir caminho livre aos pedestres. Construção e reforma de calçadas e rampas, instalação de pontos seguros de travessia e tolerância zero contra o estacionamento irregular deveriam ser ações prioritárias.

 

 

VÍDEOS:

 

Bloqueios contra pedestres na W3 Sul

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Descaso com os usuários de ônibus no Setor Comercial Sul

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Flagrante de quase atropelamento na W3 Sul

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Multas cidadãs em Brasília – crianças aplicam multa simbólica

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Cadeirante em calçada destruída e sem rampas do Setor de Rádio e TV Sul

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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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