Motos invadem a Colômbia

Equipe do Mobilize passou por algumas cidades colombianas para experimentar a mobilidade no país. O que mais nos incomodou? O excesso de motos

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Marcos de Sousa / Mobilize Brasil  |  Postado em: 16 de janeiro de 2018

Bogotá: motocicletas trafegam por corredor entre c

Bogotá: motocicletas trafegam por corredor entre carros

créditos: Carlos Julio Martinez/ A Semana

Conhecida pelos projetos de mobilidade em Bogotá e Medellín, a Colômbia vive um espetacular crescimento da frota de motonetas e motocicletas. Bogotá, Medellín e Cali têm as maiores frotas, mas o fenômeno é bem mais impactante nas pequenas cidades do interior. Lá, como no Brasil, a partir dos anos 2000 as famílias mais pobres passaram a trocar suas bicicletas, animais de carga e de montaria por motos, na maioria de baixa cilindrada.  

A febre motociclística tem uma explicação. Hoje, pode-se comprar uma moto nova a partir de 2 milhões de pesos colombianos, ou cerca de R$ 2.450,00. Uma moto usada (2006) pode ser adquirida por cerca de 700 mil colombianos, ou menos de 800 reais, a serem pagos em pequenas "cotas" (mensalidades).

Especialistas da área afirmam que o país já é o segundo mercado de motos na América do Sul, logo depois do Brasil, e tem mais motos do que carros. São 13 fabricantes locais, mais de 5 milhões de motos licenciadas e cerca de 700 mil motocicletas vendidas a cada ano em um país com uma população de cerca de 50 milhões de pessoas. Medellín é o centro dessa indústria, mas Bogotá  - cidade das bicicletas - sente essa explosão de maneira mais intensa em suas ruas e avenidas.

Nas cidades maiores, o comportamento dos motociclistas é bem semelhante ao dos brasileiros, que utilizam a faixa entre os carros como corredor. Em momentos de congestionamento, os condutores de motos ocupam todos os espaços, pressionando carros, ciclistas e até pedestres. Em Cartagena, fora da área turística é preciso muito cuidado para circular pelas calçadas, que se transformam em "corredores auxiliares" dos motociclistas.

Bicitáxis em Talaigua, vale do rio Magdalena: triciclos a pedal ainda resistem. Foto: Marcos de Sousa/ Mobilize


Outro resultado é a invasão das ruas do interior por motos que em alguns casos transportam famílias inteiras, sem as mínimas condições de segurança, à semelhança do que acontece no interior do Brasil. Em cidades históricas ao longo do rio Magdalena, como Carmen, Plato e outras, as antigas bicicletas e triciclos a pedal estão sendo abandonadas e trocadas por motonetas e triciclos motorizados.

Em Mompox, por exemplo, cidade histórica com construções espanholas do século 16, até mesmo as calçadas exclusivas para pedestres, às margens do rio, são invadidas pela motos, para desassossego de quem quer apenas caminhar. Além do ruído dos motores, as várias lojas de motocicletas também infernizam os ouvidos dos passantes com suas promoções de vendas, apregoadas em potentes sistemas de som com fundo musical, de cumbias, salsas, merengues e mambos. 

 

Mompox, na Colômbia: motocicletas "invadem" área histórica, às margens do rio Magdalena Foto: F. de Castro


Moto x Turismo
O lado positivo, apontado pelos entusiastas, seria a promoção da qualidade de vida dos setores mais pobres da população. O aspecto negativo aparece nas estatísticas de acidentes: dados do seguro obrigatório colombiano indicam que em 2017 cerca de 81% dos recursos foram aplicados em acidentes com motocicletas.

Roberto Nieto, um canadense filho de colombianos que mantém um hotel em Mompox, acredita que o excesso de motos acabará afastando turistas da cidade. Ele lembra que no Canadá os impostos sobre as motocicletas são quatro vezes superiores aos dos automóveis, justamente para desestimular o uso desse tipo de veículo. "A taxa de acidentes com motos é mais alta e quando alguém se fere ou morre numa colisão, a sociedade inteira arca com os custos médicos e sociais desse acidente", explica Nieto. Impossível não lembrar do excelente trabalho realizado pelo brasileiro Eduardo Vasconcellos sobre a mortandade provocada pelas motos.

Sistemas de bicicletas públicas poderiam ajudar os visitantes a circular pelas até pouco tempo calmas ruas dessas cidades. E os bicitáxis - com alguns incrementos tecnológicos, como apps e motores elétricos - substituiriam com vantagens os barulhentos e poluidores mototáxis. Afinal, essas cidades são quase todas planas, fáceis de serem percorridas a pé e com bicicletas. Ganhariam os moradores, as cidades, e também os turistas. 

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