Em Salvador, população espera metrô para sair dos engarrafamentos

Com ônibus sempre lotados e 13 anos só de promessas da construção do metrô soteropolitano, moradores da capital baiana reclamam por mais mobilidade

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Fonte: Tribuna da Bahia  |  Autor: Kelly Cerqueira  |  Postado em: 24 de abril de 2013

Metrô em Salvador melhoraria a mobilidade urbana

Metrô traria mais mobilidade urbana para Salvador

créditos: Divulgação

 

Metrô de Salvador demora a sair do papel. Enquanto isso, população sofre com congestionamentos.

 

Atenta em um ponto de ônibus na avenida Paralela, a aposentada Jandira de Oliveira Pinto aguarda o segundo dos cinco coletivos que costuma tomar diariamente

 

Em direção a uma consulta médica no município vizinho de Lauro de Freitas ela, que mora no Doron, mas circula por toda a cidade, faz parte da camada da população que espera ansiosa a prática das promessas firmadas nessa terça-feira (23) entre o governador Jaques Wagner o e prefeito ACM Neto, com assinatura do convênio e formalização da transferência das responsabilidades do metrô para o estado.

 

Ela espera que a iniciativa facilite, pelo menos, as condições dos ônibus que circulam na cidade, geralmente lotados e sucateados devido a grande utilização e a falta de outros serviços de transporte de massa.

 

“Tomara que não fique só no papel”, dispara a aposentada, e não é para menos. Após 13 anos de espera e nenhuma previsão concreta de começo das atividades, os soteropolitanos estão descrentes em relação ao funcionamento das linhas 1 e 2 prometidas, agora, pelo governo do estado. “É claro que todo mundo está esperançoso com essa nova fase do metrô e torcendo para que tudo dê certo, mas depois de tantos anos, a gente chega a duvidar se realmente vai acontecer. É inadmissível que uma cidade como Salvador ainda funcione sem um meio de transporte destes”, opinou Jandira.

 

Dos problemas enfrentados diariamente com a ausência do metrô, ela relata a necessidade de pegar muitas linhas de ônibus, as condições físicas e estruturais precárias e a superlotação.

 

A influência do funcionamento do metrô na mobilidade urbana é outro fator essencial apontado como aspecto positivo pelos soteropolitanos. Aguardando ônibus no mesmo ponto que a aposentada, o agrônomo Ruy Reis confessa ter optado por deixar o automóvel em casa e se deslocar até a sede do Ministério Público Federal, na Paralela, de ônibus. “Não tenho mais idade de ficar mais de uma hora dirigindo em engarrafamento. Quando eu saio sozinho, com toda a falta de estrutura dos ônibus, prefiro deixar o carro em casa”, explicou o agrônomo.

 

Morador do bairro de Itapuã, ele diz que não vê problema em pagar os R$ 3,90, valor definido entre estado e prefeitura para o sistema de integração metro x ônibus, para chegar ao destino, deixando o carro em casa. “O pior é a gente sair de casa de carro, enfrentar engarrafamento, transtornos na hora de estacionar e ainda se cansar”, continuou.

 

O agrônomo diz que, devido aos problemas na mobilidade urbana da cidade, só utiliza o veículo particular para viagens ou passeios em família. “Não tenho mais paciência para enfrentar estresse de trânsito. Enquanto o metrô não fica pronto, vou me virando com este sistema de ônibus daqui, com todos os problemas que ele tem”, afirmou sem perder a atenção nas linhas que passavam, receoso de perder o ônibus que já mostrava sinais de atraso devido a chuva. “Se eu perder esse só Deus sabe quando vai passar outro”, lamentou.

 

Mesmo com todas as apostas, a concessão para a construção da linha 2 recebida pelo estado se tornou uma interrogação ainda maior para os soteropolitanos. Com a demora para o funcionamento da linha 1, a segunda parte ainda é vista com certa descrença.

 

O limite das duas linhas também é alvo de crítica por uma parcela dos soteropolitanos que afirmam não serem beneficiados diretamente com o transporte de massa. Morador do Cabula VI, o estudante Alexandre dos Santos Matos diz que só utilizará o metrô quando a linha dois ficar pronta e se o percurso chegar até Cajazeiras. “Se não for assim não vai valer a pena pra mim, mas é claro que com o metrô o trânsito vai fluir muito mais e eu não vou pegar ônibus tão cheios e engarrafamentos tão grandes”, ponderou.

 

Esta também é a opinião da pedagoga Cristiane Luz, que atualmente faz o uso de ônibus seis vezes ao dia. “Pelo o que eu li sobre o assunto, mesmo com o metrô, eu precisaria continuar pegando vários ônibus para completar o meu itinerário diário”, explicou, confessando, no entanto, que mesmo não pretendendo utilizar o meio de transporte, o período de espera e de percurso dentro do ônibus, que atualmente chega a mais de 4h horas nos dias de engarrafamento, deve ser reduzido com a disponibilidade do veículo de massa. 

 

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