Brasilia Para Pessoas

19
outubro
Publicado por Brasília no dia 19 de outubro de 2020

Texto: Maria Lúcia e Uirá Lourenço | Fotos: Uirá Lourenço.  

Começamos com uma boa notícia: temos nova colaboradora no Brasília para Pessoas! A Maria Lúcia é economista aposentada e se desloca num triciclo elétrico. Caminhamos juntos, utilizando uma bicicleta e um triciclo pela W3 Sul num domingo de lazer (27/9) para avaliar as condições de acessibilidade.

É um prazer poder contribuir para a melhoria da nossa cidade, especialmente no quesito acessibilidade! Foi um grande desafio fazer esta caminhada. Antes de percorrer a avenida, fizemos um caminho de extrema importância: testar as condições de travessia de um cadeirante pela W3, na altura do setor hospitalar (515/516 Sul). A pergunta era: como estava a acessibilidade para atravessar a avenida e alcançar o setor hospitalar com as calçadas reformadas recentemente, com piso tátil e rampas de acesso? Essa travessia permite que pessoas com cadeira de rodas alcancem o setor hospitalar por meio do transporte público, descendo no ponto de ônibus da 515/516 Sul, ou por quem vem das quadras 100 e 300.

A travessia no final da W3 mostrou algumas dificuldades e obstáculos. Além de não ser feita em linha reta nas duas pistas da avenida, é necessário fazer uma travessia na pista que atravessa a W3 no meio do canteiro central. Foi observado que, apesar de haver rebaixamento do meio fio, as condições das calçadas estão precárias e com buracos.Já foi protocolada na ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF) solicitação para consertar esse trecho. 

Calçada em péssimo estado na parte central da travessia para o setor hospitalar.

Vencidos esses obstáculos na travessia, é tranquilo o percurso no interior do setor hospitalar. O piso plano, em ótimas condições, e as rampas permitem o deslocamento sem tropeços.  

Após a reforma, as calçadas do setor hospitalar estão em ótimo estado. 

Continuando a caminhada no sentido sul/norte, entre as quadras 515 e 512 Sul foi possível observar como está a acessibilidade das calçadas e como são as travessias. O contraste é grande entre os trechos reformados e os que não passaram por obras. Pode-se constatar que nos locais reformados a acessibilidade está presente, tanto nas calçadas do lado das quadras 500, como no canteiro central. 

No entanto, a situação das calçadas do outro lado, nas quadras 700 é desanimador e merece fazer um novo desafio para saber se um cadeirante consegue circular nessas quadras e alcançar as quadras 900.

As travessias merecem atenção das autoridades, tanto as no sentido sul/norte, quanto as travessias entre as quadras 500 e 700. Há travessias no sentido norte/sul sem faixa e a velocidade dos motoristas é alta na conversão. Entre a 500 e a 700 nem sempre a travessia é direta (a 512 Sul está bem sinalizada e se atravessa sem ziguezagues), em alguns pontos faltam rampas (por exemplo, na 513 Sul) e a chegada ao lado 700 é dificultada pelo estado das calçadas (em alguns pontos, não há pavimentação, apenas área gramada).   

Diferença nos locais de travessia: com obstáculos na 513 e acessível na 512 Sul. 

Dificuldade na travessia: falta de faixa e alta velocidade na conversão.

Na 513 Sul, área gramada no lado 700 impede o acesso de cadeirantes. 

Outro ponto que merece destaque é a abertura da W3 Sul para as pessoas aos domingos e feriados. Desde 11 de junho, a avenida fica aberta para o lazer, a exemplo do que ocorre no Eixão. Muitas pessoas aproveitam, famílias caminham e pedalam juntas, cadeirantes também usufruem das pistas tradicionalmente ocupadas por carros e ônibus. A tranquilidade é tanta que se podem ouvir os passarinhos e apreciar com calma e vegetação exuberante ao longo da avenida. 

Domingo na W3 Sul: tranquilidade ao som dos passarinhos.

Esse foi o primeiro teste de acessibilidade em parceria. Esperamos fazer outros testes por Brasília. Acreditamos numa cidade humanizada e inclusiva, em que as pessoas se desloquem sem dificuldade e sem obstáculos. Uma cidade acessível é boa para todos!

____________________________

Com o reforço da Maria Lúcia, criamos nova seção no blog com foco na acessibilidade: https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/olhar-acessivel/ 

VÍDEOS:

Os dois vídeos foram gravados na W3 Sul. O primeiro registra o teste de acessibilidade que fizemos na avenida – Maria Lúcia no triciclo elétrico e Uirá Lourenço na bicicleta. O segundo mostra o percurso de bicicleta pela parte central arborizada da W3, com grande potencial como calçadão a ser utilizado por pedestres e ciclistas.   



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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