Brasilia Para Pessoas

19
abril
Publicado por Brasília no dia 19 de abril de 2019

Uirá Lourenço

Neste período de chuvas, alguns podem achar que é impossível seguir caminho de bicicleta. Mas dá para continuar firme no pedal. Basta estar preparado. Em casa, usamos bicicleta com sol ou chuva e temos algumas dicas práticas.

 


# Dica 1: Bicicleta à prova d’água

Sua magrela precisa estar preparada. E, como seu chefe não vai gostar se você chegar com a roupa enlameada, tenha bons para-lamas instalados. A chuva em si, especialmente se for fraca, não é problema. Mas alguns respingos de lama podem causar chateação.

Se sua bicicleta não veio de fábrica com para-lama, não se preocupe. Boas lojas têm diferentes modelos à venda. A minha é um modelo mountain bike que veio peladinha e adaptei aos poucos. Hoje, posso dizer que ela está totalmente apta para os “torós”. Dê preferência ao para-lama de metal que cubra boa parte da roda. Já testei modelos de plástico que eram muito frágeis e não protegiam bem.

Bicicleta adaptada para a chuva: para-lamas, baú, refletivo e luzes

 

Outro item recomendável é um baú ou alforje (bolsa específica para bicicleta) adaptado à garupa. Além de se proteger, é bom ter um compartimento para seus pertences. Já usei alforje, que tem a vantagem de ser leve e de fácil manuseio. Mas atualmente uso um baú de moto adaptado que é perfeito para dias de chuva. Já peguei temporal e minhas coisas ficaram totalmente secas. A adaptação também ajuda muito na hora das compras e quando faço a feira no caminho: dá para encher o baú de mangas e abacates.

 

# Dica 2: kit chuva

Temos um conjunto de acessórios essenciais no baú: calça impermeável, capa de chuva e chinelo. A calça impermeável é de motoqueiro e usamos sobre a calça. Quando estou de bermuda, uso só a capa, que é do modelo poncho e cobre até a altura do joelho. Já usei capa de chuva convencional, mas o modelo próprio para ciclista (muito comum na Holanda) é mais confortável e protege bem.

Quanto ao calçado, já testei tênis e botas impermeáveis. Mas hoje prefiro o bom e velho chinelão. Além de ocupar pouco espaço, outra vantagem é não encharcar os pés. Ao chegar ao destino, é só lavar os pés, secar e colocar o tênis. Outra opção é o calçado modelo croc. Por ser leve e com orifícios, é fácil de transportar e não encharca os pés.

Trajes para a chuva: roupa impermeável e sandália

Ao estacionar, se não tiver vaga coberta, lembre-se de cobrir o selim com um saco plástico. Assim, você evita molhar a calça, pois o selim absorve água e demora para secar.

 

# Dica 3: Segurança no trânsito

Coletes refletivos ajudam muito na segurança

Com a bicicleta pronta e o kit chuva separado, é importante se atentar para a segurança no trânsito. Como as condições de visibilidade pioram na chuva, use acessórios para ficar em destaque, especialmente à noite. O segredo é tornar-se o mais visível possível: colete refletivo, luzes e refletivos colados na bicicleta ajudam bastante.

Cuidado redobrado com pistas molhadas e buracos. Além da possibilidade de piso escorregadio, as poças d’água podem encobrir crateras. Então, reduza a velocidade e se assegure que os freios estão funcionando bem.

 

# Dica 4: Pedal feminino

A Rosana usa a bicicleta no trajeto até o trabalho e tem algumas dicas para compartilhar.

Rosana Baioco e Ana Silvia pedalam juntas no trajeto até o trabalho

“Leve roupa e sapato na bagagem para trocar. Se já for sair de casa vestida, as saias e vestidos costumam ser a melhor opção nesses dias, porque a capa de chuva os cobre e você só molha as pernas e pés, que pode secar depois com toalhas de papel. Se usa cestinha ou bagageiro, coloque sua bolsa bem envolvida em sacola plástica; isso basta para garantir que chegue tudo seco.

 

# Dica final: Siga em frente, alegremente

Bicicleta holandesa pronta para a chuva

Não temos a diversidade de bicicletas e acessórios da Holanda, onde a bicicleta é um meio de transporte muito disseminado. A famosa bakfiets, com caixa para o transporte de crianças e compras, tem capa específica para proteção contra chuva. Mas, temos criatividade e, em muitas cidades pelo país, é comum ver pessoas pedalando mesmo com chuva forte.

Na Grande Vitória, uso intenso de bicicleta mesmo com chuva.

 

Recentemente foi publicada uma foto que demonstra de forma contundente a criatividade e paixão pela bicicleta. Por que não ensacar as crianças para proteger da chuva? Jeito barato e eficiente…Mas, cuidado…deixe alguns furos para a entrada do ar.

Crianças ensacadas: forma criativa de proteger da chuva. Fonte: Facebook

Pedalar na chuva é bom demais. Além de sentir aquele cheiro bom de terra molhada e ouvir os passarinhos cantando alegremente, o caminho sem congestionamento nem estresse é outro ponto forte. Quando estou voltando para casa, sem compromisso, até abro mão do kit chuva, pois adoro sentir o vento e o frescor das gotas.

Bom pedal e aproveite bem as chuvas!

 

Veja mais:

 Álbum – Mobilidade Ativa na ChuvaFotos de cidades brasileiras e do exterior

 

Vídeo – Bicicleta: meio de transporte da família

 



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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