Brasilia Para Pessoas

25
junho
Publicado por Brasília no dia 25 de junho de 2021

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Minha bicicleta, adaptada para a cidade.

Pedalo no dia a dia há muitos anos e usufruo dos muitos benefícios: liberdade, agilidade, praticidade, saúde e economia. Costumo dizer que basta o arroz com feijão para seguir caminho.  No caso de um paraense como eu, o açaí também entra no cardápio. Mas a melhor parte é não parar nos congestionamentos e nem perder tempo procurando vaga para estacionar.

Fico alegre em ver muito mais pessoas pedalando desde o início da pandemia, tanto por lazer como para transporte. A ciclovia por onde passo com frequência está nitidamente mais movimentada, em qualquer horário. O número de ciclistas entregadores também cresceu bastante.

Maior quantidade de ciclistas durante a pandemia.

O Distrito Federal está no topo do ranking nacional, com mais de 500 km de ciclovias. Apesar dos velhos problemas – por exemplo, falta de conexão e iluminação nas ciclovias –, dá para se virar bem de bicicleta. Já fiz percursos mais longos (Águas Claras – Asa Norte), mas atualmente os trajetos são mais curtos, entre Asa Norte e Asa Sul.

A seguir compartilho algumas dicas práticas para quem deseja mudar de hábito, sentir-se mais livre e saudável. Mudei de hábito por volta dos anos 2000, larguei o carro e passei a usar a bicicleta quando ainda morava em São Paulo. É maravilhoso sentir o vento no rosto, interagir com as pessoas, fazer ginástica no trajeto e apreciar a paisagem.     

– Conforto na cidade

Modelos de bicicleta para uso urbano, com bagageiro, para-lama e alforje.

Pra rodar no dia a dia – para o trabalho, lazer e compras – você não precisa de uma super bicicleta. Existem muitas opções no mercado: das menores dobráveis às urbanas elétricas. Há inclusive o modelo tandem para mais de uma pessoa (é uma delícia pedalar em família, na mesma bike!). A que uso mais é um modelo mountain bike que adaptei para uso na cidade: o guidão é mais alto (para pedalar mais ereto), com bagageiro, para-lamas e um baú de moto.   

Recomendo bastante um bagageiro e cestinha para levar os pertences. Evite carregar muito peso em mochila nas costas: além de sobrecarregar a coluna, a mochila provoca suor. No bagageiro pode-se adaptar um baú ou usar alforje (bolsa própria para usar na bicicleta). Me adaptei bem com o baú de moto, que tem uma chave, pode ser retirado facilmente e protege bem as tralhas mesmo com chuva forte.  

Quanto ao caminho, a sugestão é escolher ruas com menor movimento de carros e ônibus, de preferência as que tenham ciclovia ou ciclofaixa. Se não tiver infraestrutura específica para ciclistas e você ainda sentir desconforto com o fluxo motorizado, siga pela calçada com atenção para os pedestres. Teste o percurso em dias de menor movimento (fim de semana) e peça ajuda a ciclistas experientes. Outra opção é pedir ajuda a um anjo: o Bike Anjo é um grupo de voluntários que atua em várias cidades, inclusive em Brasília, ensina a pedalar e dá dicas de trânsito gratuitamente.

Diferentes situações para pedalar: passeio, chuva, escola e compras.

Os para-lamas são bem importantes para os dias de chuva. Eles evitam os respingos de lama que sobem das rodas. Os modelos de metal, compridos, são resistentes e eficientes. O kit chuva é importante também. Costumo levar capa de chuva (tipo poncho), calça impermeável e chinelo (os modelos croc também são bons). Quando a chuva aperta, uso meu traje, coloco todas as coisas no baú e sigo caminho.  

Em casa também usamos bicicletas dobráveis e as vantagens são leveza e praticidade. Se precisar, dá para dobrar e transportar no ônibus ou levar no porta-malas. A minha eu já levei até no colo ao pegar carona em carro pequeno. Há sempre um bom motivo para pedalar: levar a molecada para a escola, ir para o trabalho, passear e fazer compras. O litro da gasolina a R$ 6 serve de incentivo a mais para trocar o carro pela bicicleta. 

– Segurança ao circular e estacionar

Luzes e colete refletivo: acessórios para pedalar à noite.

Uma regra importante é ficar bem visível. Dê preferência às roupas claras e cole adesivos refletivos na bicicleta e no capacete. À noite, além de luzes (vermelha na traseira e branca na dianteira), recomendo o uso de coletes refletivos. Sinalize as manobras e faça contato visual com os motoristas. Tenha especial atenção quando estiver próximo de caminhões e ônibus, em razão dos pontos cegos (que o motorista não consegue enxergar). Me acostumei a usar retrovisores e também recomendo.   

Orientação aos ciclistas de como sinalizar. Fonte: https://mxbikes.com.br/blog/o-que-preciso-saber-para-pedalar-com-seguranca

Procure sempre antever a reação das outras pessoas. Na ciclovia por onde passo com maior frequência há mais pedestres do que ciclistas. Reduzo a velocidade ao passar pelos pedestres e fico atento a possíveis mudanças de percurso sem aviso. Já evitei colisão ao antever que uma dupla que caminhava iria dar meia volta. Prudência nunca é demais. Atenção redobrada ao atravessar: confirme se todos os motoristas pararam e fique atento às motos no corredor entre os carros.

Para finalizar, sugiro investir numa boa tranca para estacionar com tranquilidade. Os modelos ‘u-lock’ (em formato de U) estão entre os mais seguros. E lembre de sempre prender no quadro da bicicleta. O ideal é ter mais de uma tranca e amarrar outras partes, como rodas e selim. Evite modelos mais baratos, de cabo de aço, ou cadeados comuns.

Cadeados para prender o quadro (u-lock) e as rodas.

Há boas trancas U-lock no mercado, certificadas e com alto nível de segurança (é bom verificar na especificação, a minha é grau 8/10). Já vi trancas mais simples serem arrebentadas com facilidade e os modelos com segredo (combinação de números, em vez de chave) não são seguros. Mesmo em Brasília, em que muitas vezes faltam vagas específicas para bicicleta, dá para prender num poste ou numa lixeira.

Espero que as dicas deem ânimo para pegar a magrela e descobrir a cidade de forma agradável e econômica. Enquanto durar a pandemia, não se esqueça da máscara e do distanciamento. Comece gradualmente com trajetos curtos e, em pouco tempo, você vai perceber que pode ir mais longe, pode ir ao local de trabalho e fazer compras.  

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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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