Brasilia Para Pessoas

01
março
Publicado por Brasília no dia 01 de março de 2019

Em Amsterdã, o desenho urbano incentiva os modos ativos e coletivos de transporte. Foto: Uirá Lourenço

Atualmente há uma tendência clara de planejar as cidades com foco nas pessoas, com prioridade à mobilidade ativa integrada ao transporte coletivo. Esse movimento de valorizar as pessoas é bem evidente nas capitais europeias.

Ao contrário da lógica rodoviarista que priorizou o automóvel por muitas décadas – com vias expressas, túneis e viadutos voltados à fluidez motorizada –, a lógica humanizadora prioriza a segurança no trânsito, a acessibilidade e a qualidade de vida.

Entre os pensadores que influenciam a nova tendência estão Jan Gehl e Jane Jacobs. Gehl é arquiteto dinamarquês e autor do livro Cidades para Pessoas. Jacobs foi ativista e combateu o avanço das vias expressas e de projetos voltados ao automóvel nos Estados Unidos, escreveu a obra de referência Morte e Vida nas Grandes Cidades e inspirou caminhadas Jane’s Walk em várias cidades pelo mundo.*

No Distrito Federal, ainda se veem muitas propostas de novas vias, túneis e viadutos, a exemplo do Trevo de Triagem Norte (TTN) no final da Asa Norte. No entanto, há nos órgãos governamentais bons projetos que revertem a lógica rodoviarista e priorizam as pessoas. Neste mês, o GDF anunciou a execução do projeto de revitalização do Setor Hospitalar Sul. Este é um dos projetos elaborados segundo os preceitos da nova mobilidade, que inclui ampliação das calçadas e redução do limite de velocidade para 30 km/h.

Projeto de revitalização do Setor Hospitalar Sul. Fonte: Nós Urbanos/GDF.

Outros projetos do governo local seguem a mesma lógica de humanização. O Setor de Rádio e TV Sul (SRTVS) é uma região inacessível, com calçadas e canteiros destruídos e invadidos por carros. Existe projeto elaborado pela Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth, atualmente Secretaria de Urbanismo e Habitação – Seduh). Segundo consta no Nós Urbanos – mapa virtual que exibe os projetos urbanísticos do GDF – o projeto vai “privilegiar o pedestre na região, mediante ampliação de calçada, melhoria das travessias de pedestres e da arborização, criação de plataformas compartilhadas para vencer os desníveis dos acessos a lotes e interseções viárias, introdução de elementos de traffic calming”. Ainda segundo a descrição do projeto, o transporte público será fomentado e haverá rotas acessíveis para “os deslocamentos de pedestres, pessoas com deficiências e ciclistas por todo o Setor”.

Situação atual no Setor de Rádio e TV Sul: caos e inacessibilidade. Fotos: Uirá Lourenço

Imagem do projeto para o Setor de Rádio e TV Sul. Fonte: Nós Urbanos/GDF

Com o intuito de ampliar o nível de informação sobre os projetos de mobilidade, o Brasília para Pessoas lança nova seção com o intuito de reunir detalhes sobre as propostas governamentais alinhadas com o novo modelo de urbanismo. Os projetos para as pessoas do GDF podem ser acessados no blog (clique para acessar).

Existem propostas de melhorias para pedestres e ciclistas com projetos concluídos ou em fase de elaboração em diversos locais, tais como: Eixão, W3 e W4 Norte, Setor Hoteleiro, entorno das estações de metrô.

Esperamos que, nos quatro anos do novo governo, os bons projetos com foco na mobilidade e na qualidade de vida saiam do papel e se tornem realidade. A capital federal precisa de mais calçadas, ciclovias interligadas, rampas, praças e áreas de lazer. E menor limite de velocidade, menos carros, menos túneis e viadutos.

Vídeos produzidos em locais com projetos de humanização:

Vídeo-denúncia: Caminhada com cadeirante (Setor de Rádio e TV Sul)
Caminhada e conversa com turistas (Setor Hoteleiro Norte)

Vídeo com senhor caminhante (W4 Norte, altura da 908N)

Um texto sobre boas calçadas em Brasília

Calçadas boas e atrativas

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* Em Brasília já foram realizadas caminhadas Jane’s Walk em diferentes regiões para observar a cidade na ótica dos pedestres. No portal Mobilize há relato com detalhes sobre a 2ª edição em que caminhamos pela Asa Sul. Veja em Jane’s Walk na capital federal: caminhada e olhar crítico sobre a cidade

 



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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