Entre as principais descobertas deste estudo, destaca-se o aumento, em média, de sinistros fatais nas ocorrências em cruzamentos com envolvimento de motociclistas (entre 100% e 120%). Nas ocorrências de forma geral, não se verificaram reduções estatisticamente significativas.
Segundo a pesquisa "Impacto da Faixa Azul na Segurança Viária -Sinistros, velocidade e percepções de motociclistas em São Paulo", o principal fator associado ao risco da letalidade em faixa exclusiva para motos é o excesso de velocidade. Nas vias com a sinalização, 96% dos motociclistas dirigem acima do limite.
Implantada em janeiro de 2022 com a promessa de reduzir mortes no trânsito na capital paulista, a política no entanto não tem se mostrado eficaz do ponto de vista da segurança viária, de acordo com os dados analisados.
Pela metodologia adotada, foram feitas comparações entre vias com Faixa Azul e outras sem a sinalização, mas com características semelhantes. O objetivo foi avaliar se, após a implantação da faixa exclusiva teria havido melhora relevante entre os dois grupos. Em vários casos, a diferença foi nula, e em outros os indicadores de segurança pioraram.
O estudo também analisou onde os acidentes acontecem ao longo das vias: no meio da quadra ou em um raio de até 10 metros dos cruzamentos. O dado mais preocupante surgiu aí: em ruas com Faixa Azul, o número de acidentes fatais mais do que dobra, aponta a pesquisa. Isso porque, analisam os pesquisadores, a velocidade elevada no trecho entre cruzamentos faz com que o motociclista chegue ao cruzamento — que já é uma área naturalmente mais conflituosa — em condições muito mais perigosas.
De acordo com o levantamento, 475 motociclistas morreram no trânsito de São Paulo em 2025 — alta de quase 15% em relação a 2022, quando as Faixas Azuis começaram a ser implementadas. Em comparação com 2024, houve uma queda de pouco mais de 1%. O menor número de mortes foi registrado em 2023, com 402 óbitos.