Bairros centrais e densos são mais caminháveis, aponta índice

Ranking de caminhabilidade em 8 cidades brasileiras e 2 portuguesas traz resultados inesperados, como o das cidades-satélites do DF que aparecem na frente do Plano Piloto

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Mobilize Brasil  |  Postado em: 15 de julho de 2026

Taguatinga (DF): densidade que favorece a caminhad

Taguatinga (DF): densidade que favorece a caminhada

créditos: Caroline Aguiar Leal

As cidades campeãs de caminhabilidade no Brasil confirmam um padrão pouco evidenciado: vencem os bairros mais centrais e densos. É o que aponta o Índice Praticidade 2026.1, que traz o ranking de caminhabilidade em bairros de 10 cidades, oito delas brasileiras e duas portuguesas. As cidades avaliadas foram: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Lisboa, Porto, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.    

 

A constatação de que essas duas condições - caminhabilidade e adensamento - estão diretamente relacionadas encontram no caso de Brasília um bom exemplo. No Distrito Federal a ferramenta comparou áreas das 39 regiões administrativas, e o resultado foi o seguinte: no quesito mobilidade a pé, as cidades-satélite superam o Plano Piloto. Em ordem de prevalência, Ceilândia saiu à frente com nota 6,0, seguida de Taguatinga, com 5,98,  ambas se mostrando mais caminháveis do que a Asa Sul (5,25) e a Asa Norte, que ficou aliás atrás de todas as regiões avaliadas.

 

No cenário nacional, essa regra quanto à caminhabilidade também se confirma. As notas mais altas do ranking ficaram para o bairro de Santa Cecília, na região central de São Paulo, com nota 7,31; Ipanema, no Rio (7,79); Funcionários, em Belo Horizonte (7,80); Alto da Rua XV, em Curitiba (8,15); São Geraldo, em Porto Alegre (8,05); bairro Centro, em Fortaleza (7,83); e Bonfim, em Salvador (8,58). O mesmo se deu com as duas cidades líderes do levantamento em Portugal: Santa Maria Maior, em Lisboa, teve nota 8,21, e Santo Ildefonso, no Porto, 7,66. As notas se referem aos dados colhidos até a data de 5 de julho de 2026.

 

O Índice Praticidade foi desenvolvido por Ricardo Carapeto, profissional de marketing e tecnologia que conta sempre ter tido grande interesse por mobilidade urbana. O levantamento se desdobra em 14 categorias relacionadas à caminhabilidade, como segurança, transporte público, ciclomobilidade, entre outras. Para conhecer a metodologia adotada neste índice, clique aqui. 

 

A ideia central, explica o desenvolvedor, é oferecer a qualquer pessoa uma forma simples de comparar bairros e até endereços específicos: "Queria algo totalmente gratuito, na linha do que o Walk Score faz nos Estados Unidos, que desse um score de praticidade a pé aos bairros de cidades brasileiras e portuguesas, com metodologia aberta e pública. No fundo, é um projeto sobre o que faz um bairro resolver a vida de quem anda a pé", ressalta. 

    

Bairros caminháveis
Segundo Carapeto, a concentração de serviços é o que explica os resultados mais favoráveis aos deslocamentos a pé. No caso de Brasília, acredito que "o projeto do Plano Piloto priorizou o transporte motorizado, as superquadras amplas, o Eixo Monumental e os setores institucionais com atendimento espalhado pela cidade. Esse desenho afasta o comércio de quem anda. Nas satélites, acontece o contrário: o comércio é denso, as calçadas ficam perto das casas e o essencial do cotidiano se resolve a curta distância", observa. 

 

Entretanto, na categoria de bairros mais cicláveis, a ferramenta mostra que ocorre uma inversão de sinal, com a Asa Norte recebendo a melhor nota no Distrito Federal (9,78), seguida do Eixo Monumental (9,53). Uma explicação é que as pistas largas e vias contínuas, traçados que dificultam a vida de quem anda, por sua vez favorecem quem pedala. 

 

Para quem caminha, a lógica se repete na cidade de São Paulo, onde bairros sem comércio de rua e de perfil estritamente residencial não pontuam. E no topo da mobilidade vemos os bairros do centro expandido, com alta densidade comercial, como Santa Cecília (7,31), Moema (7,19), Itaim Bibi (7,12), Pinheiros (7,04) e República (7,03).

 

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