Brasilia Para Pessoas

04
setembro
Publicado por Brasília no dia 04 de setembro de 2020

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Uma imagem contendo ao ar livre, grama, carro, velho

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Reforma de calçada na Esplanada dos Ministérios.

Em agosto observei obras voltadas aos pedestres. Na Asa Sul, a avenida W3 e o Setor Hospitalar passam por melhorias. E no início da Esplanada dos Ministérios, quem diria, começou a reforma da calçada na saída da rodoviária do Plano Piloto.  

Na W3 Sul a reforma das calçadas começou pela 512 Sul e outras quadras estão com obras em andamento. Passei de bicicleta do início ao final da avenida, no dia 21/8, e notei a transformação. A parte central e a calçada do lado 500 estão com piso em ótimas condições. O projeto prevê a revitalização dos becos e, na 506 Sul, um centro gastronômico foi instalado. Além dos restaurantes, plantas, grafite, música e locais para sentar tornam o ambiente acolhedor. 

Placa de sinalização na beira da rua

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Canteiro central da W3 Sul – piso reformado.

Reforma em calçada (512 Sul) e em beco (506 Sul).

No canteiro central, apesar das melhorias no piso, há muitas interferências (estacionamentos e retornos) que dificultam e chegam a impedir o acesso a pé e de bicicleta. Gravei vídeo para mostrar o trajeto (link no final do texto). Seria muito bom aproveitar as obras e garantir um caminho arborizado e contínuo para pedestres e ciclistas no canteiro central da avenida. Um calçadão compartilhado (boulevard) de ponta a ponta da W3 (Norte e Sul) seria um marco em Brasília, um grande símbolo de investimentos na mobilidade ativa.

A reforma das calçadas, a retomada dos centros culturais e comércio de rua (restaurantes, sebos, bancas de revista e lojas diversas), o calçadão compartilhado e, futuramente, o VLT podem ser fatores importantes de revitalização da W3. Quem sabe a avenida voltaria a seus tempos áureos.

– Setor Hospitalar Sul

Uma imagem contendo ao ar livre, estrada, rua, calçada

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Aproveitei o trajeto de bicicleta para conferir o Setor Hospitalar, no final da W3 Sul. A região passou por obras que incluíram reforma das calçadas, instalação de faixas elevadas de travessia e placa para informar a redução de velocidade (zona 30).

A comparação entre o antes e depois é gritante. Era bem complicado caminhar na região: calçadas estreitas – em péssimo estado e sem rampas – e farra de estacionamento irregular (nas calçadas e ao longo da rua). O diferencial da revitalização no Setor Hospitalar Sul foi a parceria. Segundo notícia do Governo do Distrito Federal (GDF), o serviço foi executado pelo programa Adote uma Praça com recursos (cerca de R$ 6 milhões) da iniciativa privada: dois hospitais adotantes localizados na região.

No setor hospitalar, calçada larga e acessível após a reforma. Fotos de nov/2015 (à esquerda) e ago/2020 (à direita).

Melhorou e poderia ficar ainda melhor, com vagas para ciclistas (paraciclos) e pintura para sinalizar aos motoristas o caminho compartilhado com quem pedala (ciclorrota). E o sombreamento poderia ser maior, com mais árvores. Muitos dos bancos instalados ficam em local sem sombra. As palmeiras que predominam contribuem muito pouco para o conforto térmico.

– Esplanada dos Ministérios

E ao passar pela área central no dia 28/8 tive a grata surpresa de ver a reforma da calçada na saída da rodoviária do Plano Piloto. Por muitos anos – décadas, para ser mais preciso – essa calçada ficou abandonada, com muitas crateras e desníveis. Nem o fluxo intenso de pedestres no local (vídeo da enxurrada de pessoas), que chegam de ônibus ou metrô na rodoviária, fez com que os seguidos governos tomassem providências.

Condições da calçada no início da Esplanada dos Ministérios em ago/2016 (à esquerda) e ago/2020 (à direita).

Estima-se que 700 mil pessoas passem pela rodoviária do Plano Piloto todo dia. Tomara que essa reforma seja um novo capítulo na novela de descaso. Além das calçadas esburacadas e sem rampas, os elevadores e as escadas rolantes desativados, o bicicletário bloqueado e as ciclofaixas apagadas e abandonadas compõem o difícil cenário na rodoviária. Ao passar pela rodô (apelido carinhoso do principal terminal de transporte), sempre me pergunto por que não se constrói uma rampa entre as plataformas superior e inferior, para viabilizar o acesso e reduzir a dependência das escadas rolantes e elevadores que passam por problemas frequentes de vandalismo e falta de manutenção.     

– Mais Obras para as Pessoas

Espero que setembro traga mais boas notícias, e que outros bons projetos saiam do papel. No blog temos seção que reúne diversos projetos voltados para as pessoas, que incluem calçadas, ciclovias e rotas acessíveis. O governo anunciou obras no Setor de Rádio e TV Sul (SRTVS), outro local altamente inacessível, com carros espalhados por calçadas e canteiros.  Segundo a notícia, haverá alargamento das calçadas e instalação de zona 30.   

A Asa Norte e várias regiões em todo o DF também precisam de melhorias para pedestres e ciclistas. Nesse trajeto de bicicleta pela Asa Sul, a esperança por uma cidade acessível e acolhedora se renovou.

Que venham mais calçadas, ciclovias, zonas 30 e faixas elevadas de travessia. E menos pistas, túneis e viadutos. Que Brasília siga a tendência moderna de priorizar as pessoas, a mobilidade ativa, e que os projetos caros e atrasados voltados ao automóvel fiquem guardados nos arquivos apenas como registro histórico.  

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Os projetos governamentais com foco nas pessoas (calçadas, ciclovias e rotas acessíveis) estão acessíveis no blog: https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/projetos-gdf/projetos-para-as-pessoas-gdf/

VÍDEOS:

Os dois vídeos, gravados no dia 21/8, mostram como estão a W3 Sul e o Setor Hospitalar Sul.



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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