Brasilia Para Pessoas

19
dezembro
Publicado por Brasília no dia 19 de dezembro de 2020

Texto: Maria Lúcia Veloso e Uirá Lourenço | Fotos: Uirá Lourenço

Pessoas posando para foto em frente a carro

Descrição gerada automaticamente

No dia 5 de dezembro (sábado) fizemos o segundo teste de acessibilidade. O intuito foi avaliar as condições para um cadeirante passar nas proximidades da Torre de TV, na área central de Brasília. A Maria Lúcia utiliza uma scooter elétrica nos deslocamentos e tem contribuído com o olhar da acessibilidade (criamos seção específica para tratar do tema).

A ideia inicial era percorrer quatro trajetos curtos: Setor Hoteleiro Sul, Torre de TV, Setor Hoteleiro Norte e início da W3 Norte. Diante das dificuldades, percorremos juntos apenas os dois trajetos iniciais, indicados no mapa.

Mapa

Descrição gerada automaticamente

Mapa com os quatro trajetos previstos inicialmente.

Iniciamos o trajeto pelo Setor Hoteleiro Sul e a foto abaixo já mostra a falta de continuidade da calçada e a inexistência de rampa. Em seguida partimos do estacionamento do Brasil 21.

Neste percurso foi possível observar várias situações apresentadas a seguir:

– Ausência de rampas e locais de passagens destruídos e inoperantes

Homem andando de bicicleta na rua

Descrição gerada automaticamente


No Setor Hoteleiro Sul, piso em péssimo estado na passagem para pessoas com deficiência.

Entre o trajeto 1 (Setor Hoteleiro Sul) e o trajeto 2 (Torre de TV) para fazer a travessia do Eixo Monumental foi necessário o apoio do veículo do aplicativo Mobilidade, que estava nos acompanhando na aventura. Havia descontinuidade na calçada para acessar o semáforo e fazer a travessia do Eixo Monumental para a torre de TV. Daí foi necessário andar de scooter pelo asfalto, com o carro fazendo a proteção, até chegar à rampa. Percurso que não recomendamos nenhum cadeirante fazer.

Pessoa andando de moto no meio da rua

Descrição gerada automaticamente

Ausência de rampa obriga a fazer trajeto pela pista, no Eixo Monumental.

Para chegar ao semáforo subimos a rampa que está deslocada, situada após a faixa de pedestre do semáforo. Outra dificuldade foi o tempo de espera, afinal o semáforo no local (via S1) estava quebrado e foi necessário forçar a travessia ao diminuir o fluxo de carros, após vários minutos.

– Desníveis e fendas no piso

Uma vez realizada a travessia do Eixo Monumental, esbarramos em outro problema. Apesar daquele trecho ter sido revitalizado, a existência de uma fenda entre a pista dos carros e a ciclovia inviabilizou o acesso com a scooter. Tivemos que novamente pedir auxílio ao Jeferson, motorista que nos apoiou, para transportar até um local com rampa de acesso.

Fenda no piso inviabilizou a travessia.

Depois de superar estes obstáculos, finalmente foi possível desfrutar das calçadas em volta da Torre de TV que estão em bom estado e reformadas.

Uma imagem contendo grama, ao ar livre, parque, menino

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Calçada em ótimas condições na frente da Torre de TV.

A travessia do Eixo Monumental do lado norte (via N1) limitou o acesso com a scooter ao Setor Hoteleiro Norte e ao início da W3 Norte, pois há uma descontinuidade na calçada. O Uirá teve que seguir caminho sozinho para verificar as condições no local. Além da descontinuidade no ponto de travessia, a falta de rampas também inviabiliza o acesso na parte norte. Gravamos vídeo no percurso, confira ao final.

Descontinuidade na calçada – travessia do Eixo Monumental (via N1).

Ausência de rampa – Setor Hoteleiro Norte.

Com este teste nosso objetivo foi mostrar a necessidade de melhorias na acessibilidade em um local de grande visibilidade da nossa cidade, não apenas para as pessoas que aqui residem, mas também para o fortalecimento e divulgação do grande potencial turístico da nossa cidade, Patrimônio Cultural da Humanidade. O turismo inclusivo, que permita às pessoas com deficiência percorrer e conhecer a cidade, é possível e necessário.

____________________________

Agradecimento ao Jeferson, do aplicativo Mobilidade, pelo seu apoio que tornou possível a realização deste teste.

No primeiro teste de acessibilidade, percorremos a W3 Sul. O texto e o vídeo estão disponíveis no blog: https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/2020/10/17/teste-de-acessibilidade-w3-sul/  

VÍDEO

https://youtu.be/ciVBVeDK9YY



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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